Ice Kiss ou Chocolate Nestlé?
Tudo é relativo. Cheguei a esta conclusão e vou com ela até que alguém me prove o contrário!
Os mais "conhecedores" do caso podem argumentar comigo sobre o assunto... Hoje, como todos os dias, abri o site G1, da Globo. Lá está estampada a seguinte manchete: "Gasolina é mais barata que água na Venezuela". De acordo com a matéria, a tal gasolina venezuelana custa 9 centavos de real; 1,5 litro de água mineral sai por 2 reais. Como pode??? Fiquei curiosa e continuei lendo... o fato é que o país tem a maior reserva de petróleo da América Latina e por isso a gasolina é vendida a preço de banana, ops.... banana não! É vendida a preço de bombons "Ice Kiss"! O que mais podemos comprar com menos de 10 centavos? Eu por exemplo não consigo usar minhas moedas de 5 centavos "isoladamente". O destino delas é certo: ou ela se junta a mais 5 centavos, e mais 5, e mais 5... e torna-se um valor relevante neste mundo capitalista, ou ela vai direto pra um "porquinho cor-de-rosa-choque" que comprei a R$ 17,00 na Imaginarium em 2005. De qualquer forma só consigo usar a moed"inha" junto com outros valores. Mas não é essa a discussão. Meu questionamento na verdade se deve ao fato de que, se por um lado na Venezuela a gasolina é tão barata, por outro o mesmo país enfrenta sérios problemas por causa disso: por conta da gasolina "Ice Kiss" a maioria dos habitantes não compra carro motor "mil"... aqueles que todo mundo no Brasil tem! Até eu tive um... andava pelo menos 14 quilômetros com um litro de gasolina. Era sofrível. Não os catorze quilômetros, mas o "preço" da gasolina. Aqui no Brasil a gasolina não é Ice Kiss... digamos que aqui ela seja assim um... chocolate Nestlé! Às vezes eu perguntava pro frentista se eu podia colocar "água" ao invés da gasolina! Na Venezuela essa troca de gasolina por água não iria agradar aos motoristas...! (risos) Lá, o preço da gasolina é tão barato que ninguém sai de casa a pé. Mesmo quem precisa andar uma quadra. Imagina o caos no trânsito? Os congestionamentos são infinitamente insuportáveis, o trânsito estressa os motoristas, fora os altos índices de poluição (tão protestada nos últimos dias com as discussões sobre as conseqüências do aquecimento global).
Ora, pra que serve a gasolina tão barata se os problemas se multiplicam? Pra que serve a gasolina tão cara se os problemas se somam? No Brasil há quem não saia de casa com o carro porque não tem dinheiro pra rodar todos os dias. Tem gente que tira o "1.0" da garagem só aos finais de semana e feriados. Tem gente que pensa em colocar "água" no tanque (tou falando com o espelho)... tem gente que não tem carro mesmo... e se espreme no transporte público ineficiente e superlotado do país.
Se a nossa gasolina é Nestlé, nós não emitimos tantos poluentes quanto os venezuelanos que fazem questão de sair de casa com seus possantes!
Se não saímos com os nossos possantes é porque a gasolina aqui é tão cara que o dinheiro só dá pra colocar gasolina no "1.0" (se tivesse um "0.1" seria melhor ainda!)
Se temos que economizar na "gasosa" pensamos duas vezes antes de sair de casa... pra um quarteirão ou até 10 quarteirões a gente usa as pernas... é bom pra saúde e pra camada de ozônio!
Se precisamos "andar" 10 quarteirões "corremos" o risco de perder o compromisso, ou chegar "suado"... de ser assaltado no meio do caminho...
Posso listar infinitos contrapontos. Posso amar o preço da gasolina venezuelana... odiar as conseqüências disto. Posso odiar o preço cobrado no Brasil, mas amar perder as "calorias" usando as pernas.
Sem hipocrisia confesso: adoraria ter dinheiro suficiente pra comprar um importado "infinitas" cilindradas e encher o tanque com bombons "Ice Kiss"!
Mas tudo é relativo. Quem se habilitar... que me prove o contrário!
Escrito por Micheline Galvão às 17h16
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DÁ UM TEMPO!
A idéia de criar este blog não veio de forma espontânea. Mas como a maioria das coisas que acontece na vida algumas "imposições" são necessárias para que possamos avançar, sair da "acomodação" e colocar o cérebro em funcionamento. No começo, confesso, não gostei muito da idéia. O professor de Edição Jornalística da minha faculdade "propôs" e, sem poder dizer "não", a turma foi "convidada" a criar seu blog. Cada um deve ter o seu, e aqui estou.
A resistência em publicar na internet se deve à uma "desculpa" que geralmente uso para não fazer algo: falta de tempo. Mas... falta de tempo? Sim... falta... de tempo! Vou explicar do começo: mudei pra São Paulo em junho de 2006. Esta cidade era meu sonho de "consumo": inúmeros cursos, possibilidade de crescimento profissional, melhores salários... diferente das perspectivas que já não me enchiam os olhos na cidade onde morava. Meu "doce lar" era em São Luís, capital do Maranhão. Lá costumava rodar pela cidade inteira e conseguia fazer várias tarefas durante o dia: acordava por volta de 6h30; saía pro trabalho, gastava em média 20 minutos no percurso casa-trabalho. Às vezes voltava pra casa, almoçava, descansava um pouco e saía correndo pra faculdade. Percurso faculdade-casa: 20 minutos. No final da tarde, ao sair da faculdade, meu destino era variado: shopping, curso de inglês, casa do namorado, cinema... ou voltava pra casa onde eu conseguia sentar, folhear livros, pesquisar, bater papo na internet, assistir TV e dormir! Percurso faculdade-qualquer lugar: 20 minutos... no máximo! Durante o dia inteiro 1 hora seria apenas para eu me deslocar. A vida era tranquila, o relógio até colaborava comigo e os dias eram "loooongos" e divertidos... produtivos? Às vezes! Naquela época eu nem pensava em blog! O trabalho e a faculdade ocupavam muito as minhas 23 horas restantes do dia... A praia, o cinema... eram mais "atraentes" ... e eu achava que não tinha tempo pra outras coisas! Mas tempo??? Eu não tinha??? Há exatos 8 meses tudo mudou: gasto QUATRO HORAS E MEIA só com deslocamentos e agora sinto falta "daquele" tempo que outrora "não tinha". Hoje acho que tinha sim... de sobra!
Em São Paulo o relógio virou meu inimigo "número 1". Em São Luís só olhava pra ele no fim do expediente do trabalho quando eu contava os segundos pra dizer: "tchau"! Lá eu não me lembro de um único relógio "público" usado para que os habitantes tenham noção do tempo... Na capital paulista relógio é o que não falta! Já sei decorado os pontos onde eles ficam instalados. Em algumas avenidas eles estão enfileirados a cada centena de metros. Quando chego no metrô lá estão eles! Parece que têm vida, parece que falam: "Você está atrasada!", "Você devia ter acordado mais cedo!", "Você não vai conseguir chegar à tempo!", "Você não tem 48 horas!". Pára!!! Por favor relógio... dá um tempo!? Tempo!? Sim... tempo... eu quero um tempo! Quero tempo pra acordar sem susto. Tempo pra chegar no horário certo do trabalho, pra almoçar decentemente, pra fazer as tarefas da faculdade, pra, pelo menos, "ir" pra faculdade, pro cinema no meio da semana, pra "namorar" não seria nada mal... (risos) Antes achava que não tinha tempo e agora eu acho que a vida passa por mim sem que eu produza algo significativo pra sociedade. Quando o "tal" professor surgiu com a proposta do blog logo pensei "calada": "Esse professor pensa que todo mundo tem tempo!". Hoje penso (escrevendo) diferente porque talvez eu tenha me dado conta de que realmente preciso dar minha contribuição social de alguma forma. Antes, quando eu podia fazer várias tarefas durante o dia inteiro não percebia que eu realmente precisava pensar como Jornalista. Era muito cômodo "bater o ponto", aparecer na TV, assinar a presença na faculdade e chegar cedo em casa. Oito meses em São Paulo me fizeram perceber o quanto o "tempo" é precioso. Em mim aquele velho desejo de algumas pessoas de "plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro"... e agora um blog, está mais aflorado. Se eu vou ter tempo para fazer isto? Não sei. Mas espero que pelo menos esse blog sirva como uma possibilidade de reflexão, de produção textual, de concretizar alguns pensamentos e/ou posicionamentos que ficam apenas "guardados" no cérebro e, na maioria das vezes, esquecidos. A imposição do professor, num primeiro momento entendida apenas como um "trabalho" da faculdade obrigatório, me fez refletir e chegar nesta conclusão.
Este espaço será destinado à comentários sobre assuntos do cotidiano. Quero falar sobre política, sem cair na utopia dos meus pensamentos, economia, sem encher a "moral" de Bush, esporte... sem mesmices infundadas, talvez moda... com um toque de pensamento crítico.
A partir deste blog "prometo" que o relógio não será meu inimigo. Ele será meu aliado. Me dirá que preciso cuidar da vida, observar a cidade, o estado o país e o mundo com olhos de uma Jornalista crítica, autêntica e verdadeiramente comprometida com a sociedade. De nada valerá minha formação acadêmica se este "exercício" não for cumprido.
Aos visitantes e amigos BOAS VINDAS. Críticas construtivas e sugestões de abordagens serão bem vindas. As destrutivas poderão virar temas a serem publicados. Ao professor de Edição Jornalística... "apesar de tarefa" desejo boas vindas também... Algumas madrugadas serão mal-dormidas, mas estou certa de que serão "produtivas", destinadas às publicações deste blog.
Escrito por Micheline Galvão às 16h04
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