OURO DE TOLO
Bom... depois de um tempinho sem publicar eis que surge um assunto: O OURO DE TOLO (rsrs). Recebi no meu e-mail uma mensagem de um site de vagas para estágios e empregos... Era a oferta de um "estágio"... eu na verdade estou em outra "fase": agora procuro por um "emprego"... mas a curiosidade falou mais alto e fui ver do que se tratava. O primeiro "pré-requisito" do anúncio dizia o seguinte: "Estar cursando penúltimo ou último ano de Jornalismo ou Relações Públicas em universidades de 1ª linha"... bem... não consegui ler o resto... na verdade me inscrevi para a vaga somente para que eu tivesse acesso ao endereço eletrônico do recrutador. Chegando ao meu objetivo, escrevi o texto abaixo... talvez ninguém leia... mas pelo menos "desabafei":
Olá,
Gostaria de fazer uma CRÍTICA CONSTRUTIVA. O recrutador colocou entre os requisitos no anúncio da vaga para estagiário de jornalismo ou relações públicas a preferência por estudantes de "universidades de 1ª linha". Discordo por dois motivos desta "in"feliz colocação: 1ºQUEM FAZ A UNIVERSIDADE É O ALUNO e não somente a empresa "universidade". Além de ter sido estudante de jornalismo sou pedagoga formada em universidade pública e sei bem o que estou afirmando; 2º este tipo de anúncio pode ser caracterizado como PRECONCEITO, visto que as universidades das outras "linhas" também são compostas por docentes e discentes comprometidos com o CONHECIMENTO. Só um lembrete: muitas vezes os mesmos professores das universidades de "primeira linha" também atuam nas tão repudiadas instituições de "segunda linha". Só uma dúvida: que lente está sendo utilizada para mensurar ou classificar a linhagem das universidades?
Nada me deixa mais "boquiaberta" do que chegar em SÃO PAULO, centro empresarial e industrial do país, e ver estudantes de universidades de "primeira linha" cometendo erros grosseiros de português, por exemplo. Digo isso com conhecimento de causa, pois moro na capital paulista há 2 anos e atualmente trabalho em uma emissora de televisão nacional. Outra: nada me deixa mais "boquiaberta" do que ver profissionais da área de recrutamento de empresas (com certeza todos formados em universidades de primeira linha) vestidos com a "armadura" do PRECONCEITO e EXCLUSÃO.
Acho que não me enquadro em nenhuma universidade de "primeira linha", pois iniciei o curso de jornalismo na universidade "federal" no meu estado no nordeste e concluí em uma particular de SP. Porém, modestamente confesso: meus conhecimentos adquiridos por esforço e interesse próprios, somados aos ensinamentos das instituições pelas quais passei, fizeram-me perceber o que o "marketing" é capaz de fazer com o "produto" educação... o que a falta de EDUCAÇÃO, no sentido completo da palavra, é capaz de fazer com sociedade... o que a falta de um olhar crítico de alguns é capaz de fazer com cidadãos verdadeiramente comprometidos com o estudo e o trabalho. Não estou interessada nesta vaga da "Anglo American", afinal minha vida de estagiária de Jornalismo chegou ao fim, mas modestamente considero-me uma PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO: JORNALISTA (CAIXA ALTA MESMO). Penso que os recrutadores poderiam ter mais cuidado ao enunciar suas vagas, e consequentemente selecionar (?) os seus profissionais. Espero que todos os “sortudos” de "primeira" linha realmente façam jus ao tão elevado grau de competência que esta empresa está apostando. Termino esta crítica com duas frases muito usadas, que se encaixam perfeitamente aonde quero chegar: "nem tudo que reluz é ouro"... "o essencial é invisível aos olhos".
Escrito por Micheline Galvão às 19h25
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